Somos seres tão complexos, alguns difíceis, alguns tristes e decepcionados como eu. Não é que eu veja o copo sempre meio vazio, não é isso. Mas a tristeza consegue me deixar lá em baixo, ela persiste, perdura dentro de mim. Fico quase sem ar, sabe? Tento subir, tento. E ela me segura com força e toma conta, sem nem pedir licença, acaba com meus planos, mata meus sorrisos. Talvez escrever ajude, é mais uma tentativa, né? Jogar pra fora o que me aprisiona, ou pelo menos explanar o meu cárcere. Até agora não encontrei a redenção, não me ajudou em nada escrever a respeito. Será que preciso necessariamente de um interlocutor para que a dor escorra pelos meus dedos, ou pela minha boca e finalmente deixe o meu corpo e, principalmente, a minha mente. Essa dor renitente me destrói maldosamente, aos poucos, mas não destrói a superfície, só o que tá lá dentro, o núcleo, sabe? É tão horroroso se sentir assim, acho que algumas pessoas partilham dessa sensação, infelizmente. Qualquer coisa que me chateie, qualquer uma, persiste, vai se alimentando de mim bem devagarzinho e não há nada que eu possa fazer, não dá pra desligar e esquecer, eu simplemente não consigo deixar pra lá, dar um grande sorriso e dizer que tá tudo bem, que sempre vai ficar bem. Porque não vai, não é. Tudo é feio, manchado, doloroso, e é assim que vai ser. Os pequenos momentos de alegria não vão deixar de existir, mas nunca vão se sobrepôr à dor, e talvez seja assim mesmo que tenha que ser. ‘Só o sofrimento constrói’, diria Eli, um grande professor que eu tive ainda na escola. Ele provavelmente tam razão, e esse, por si só, já é um motivo para sorrir. Não?
setembro 18, 2010
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